Notícias

Reforma tributária: IBS e CBS na nota fiscal. O que o sistema da sua empresa precisa ter

Desde agosto de 2026 os campos de IBS e CBS são obrigatórios na nota fiscal. Veja o que o sistema da sua empresa precisa ajustar e o que vem em 2027.

BeEquipe Be Inovation11 de jul. de 2026 · 5 min de leitura
↗

A reforma tributária do consumo deixou de ser assunto de contador e virou assunto de sistema. Desde 2026, os documentos fiscais eletrônicos ganharam novos campos, novas regras de validação e um código de classificação que não existia antes. Se o software que emite suas notas não acompanhou essas mudanças, o risco não é só de multa: é de a nota ser rejeitada e a venda travar.

Neste post explicamos o que mudou, o que já é obrigatório, o que vem em 2027 e como verificar se o seu sistema está pronto.

O que mudou na nota fiscal em 2026

A Lei Complementar 214/2025 criou dois tributos novos sobre o consumo: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de competência federal, e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), de estados e municípios. Eles vão substituir aos poucos PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI, numa transição que vai até 2033.

O ano de 2026 funciona como um período de teste. As alíquotas são simbólicas: 0,9% de CBS e 0,1% de IBS, somando 1%. Esses valores são informados na nota, mas compensados com PIS e Cofins, então não há impacto financeiro direto, desde que as obrigações acessórias sejam cumpridas.

O ponto que interessa a quem tem sistema é o cronograma. Segundo a Fenacon, o prazo de adaptação dos emissores terminou em 31 de julho de 2026, e desde 1º de agosto o destaque de CBS e IBS passou a ser obrigatório nos documentos fiscais eletrônicos, conforme o Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 1.

Os novos campos e o cClassTrib

Na prática, o leiaute da NF-e, da NFC-e e de outros documentos ganhou um grupo de informações próprio para IBS, CBS e Imposto Seletivo. Entre as novidades está o Código de Classificação Tributária, o cClassTrib, que trabalha junto com o CST que já conhecemos e indica o tratamento tributário de cada item.

Isso significa que o sistema precisa:

  • Ter os novos campos no XML gerado
  • Saber qual cClassTrib aplicar a cada produto ou serviço
  • Calcular os valores de teste corretamente
  • Tratar as rejeições novas que a Sefaz passou a devolver

Quem usa um ERP de mercado atualizado provavelmente já recebeu essas mudanças. Quem tem um sistema próprio, uma integração feita sob medida ou um e-commerce que emite nota por conta própria precisa conferir com atenção.

O gargalo das notas de serviço

O setor de serviços tem uma dificuldade extra. A NFS-e depende dos sistemas municipais, e a migração para o padrão nacional anda devagar. Uma reportagem da Band citando o Conselho Regional de Contabilidade de Goiás mostrou que apenas 3,78% das notas de serviço seguiam o novo padrão em maio de 2026.

Para quem presta serviço, isso quer dizer conviver por um tempo com dois mundos: municípios já no padrão nacional e municípios ainda em sistemas próprios. Um software de emissão bem feito precisa lidar com os dois.

O que vem em 2027 para Simples Nacional e MEI

Em 2026 o foco foi nas empresas do regime normal. A partir de 2027 a obrigatoriedade chega ao Simples Nacional e aos MEIs. Além disso, as empresas do Simples terão de decidir se vão recolher IBS e CBS pelo regime regular, o que pode ser vantajoso para quem vende para outras empresas e quer transferir créditos.

Essa decisão é tributária e deve ser tomada com o contador. Mas ela tem consequência direta no sistema: o regime escolhido muda o cálculo, os campos preenchidos e as regras de crédito.

Como saber se o seu sistema está pronto

Faça estas perguntas ao seu fornecedor ou à sua equipe técnica:

  1. O XML já tem o grupo de IBS, CBS e IS? Peça um XML de nota emitida em produção e confira.
  2. Como o cClassTrib é definido? Existe uma tabela por produto ou é um valor fixo para tudo? Valor fixo é sinal de adaptação apressada.
  3. As rejeições novas estão tratadas? O sistema mostra uma mensagem clara ou só "erro na emissão"?
  4. O sistema está preparado para 2027? Mudança de regime, novas alíquotas e créditos exigem que as regras fiscais sejam configuráveis, não escritas direto no código.
  5. As integrações acompanham? Se o e-commerce, o PDV ou o ERP trocam dados entre si, todos precisam enviar e receber os novos campos.

A Receita disponibiliza um validador de XML e uma calculadora da reforma. Usar essas ferramentas em ambiente de homologação antes de publicar qualquer mudança evita surpresas.

Por que isso é um problema de arquitetura, não só de campo novo

O erro mais comum que vemos é tratar a reforma como "adicionar três campos no XML". Ela é uma transição de sete anos, com alíquotas que mudam todo ano e regras que vão sendo publicadas aos poucos. Um sistema que tem as regras fiscais espalhadas pelo código vai precisar de manutenção cara a cada nova etapa.

A abordagem mais segura é isolar as regras tributárias em um módulo próprio, com tabelas configuráveis e testes automatizados que comparam o XML gerado com o esperado. Assim, cada mudança da legislação vira uma atualização de configuração, e não uma reescrita.

Conclusão

A reforma tributária já está valendo dentro do seu sistema, mesmo que o impacto financeiro ainda seja pequeno. Quem ajustar a base agora atravessa os próximos anos com tranquilidade. Quem remendar vai pagar a conta várias vezes até 2033.

Se você tem um sistema próprio ou uma integração fiscal e não tem certeza de que está preparado, um diagnóstico técnico mostra exatamente o que precisa mudar e quanto custa.

Fontes: Fenacon (prazo de adequação, maio de 2026); Band/CRCGO (gargalo da NFS-e, maio de 2026); Jornal Contábil (alíquotas de teste e cClassTrib); Itaú Empresas (fase de testes).

Perguntas frequentes

A reforma tributária já muda o valor que pago de imposto em 2026?

Não de forma direta. As alíquotas de teste de CBS (0,9%) e IBS (0,1%) são compensadas com PIS e Cofins, desde que as obrigações acessórias sejam cumpridas.

MEI precisa informar IBS e CBS na nota?

A obrigatoriedade para Simples Nacional e MEI está prevista a partir de 2027. Converse com seu contador sobre o cronograma.

O que é o cClassTrib?

É o Código de Classificação Tributária criado pela reforma. Ele indica o tratamento tributário de cada item da nota e funciona junto com o CST.

Quer aplicar isso no seu negócio?
Em 30 minutos avaliamos o seu cenário, sem custo.
Agendar conversa →